TEXTO I
João Guedes, um dos assíduos frequentadores do
boliche do capitão, mudara-se da campanha havia três
anos. Três anos de pobreza na cidade bastaram para o
degradar. Ao morrer, não tinha um vintém nos bolsos e
fazia dois meses que saíra da cadeia, onde estivera preso
por roubo de ovelha.
A história de sua desgraça se confunde com a da
maioria dos que povoam a aldeia de Boa Ventura, uma
cidadezinha distante, triste e precocemente envelhecida,
situada nos confins da fronteira do Brasil com o Uruguai.
TEXTO II
Comecei a procurar emprego, já topando o que desse
e viesse, menos complicação com os homens, mas não
tava fácil. Fui na feira, fui nos bancos de sangue, fui
nesses lugares que sempre dão para descolar algum,
fui de porta em porta me oferecendo de faxineiro, mas
tava todo mundo escabreado pedindo referências, e
referências eu só tinha do diretor do presídio.
A oposição entre campo e cidade esteve entre as temáticas
tradicionais da literatura brasileira. Nos fragmentos dos
dois autores contemporâneos, esse embate incorpora um
elemento novo: a questão da violência e do desemprego.
As narrativas apresentam confluência, pois nelas o(a)